A quantas andamos?

Daisypath Christmas tickers

sábado, 28 de janeiro de 2012

É meia-noite, chove e ela não está em casa...

         Imagina: recusas-te a colaborar nas tarefas da casa porque a escola e todas as tuas atividades te impedem de arrumar as roupas e a papelada da escola, de lavar o prato sujo do lanche e de devolver o leite ao frigorífico! E agora estás por tua conta! Como farias? 
     Imagina... Imagina: uma mãe que desaparece! Um resgate enviado pelo próprio pai - ela só voltará se os filhos fizerem a cama todos os dias e não deitarem as toalhas molhadas para o chão. Os cinco irmãos reúnem-se e decidem não aceitar a chantagem, e a pobre senhora é encarcerada num orfanato para mães abandonadas. Um romance de aventura, mistério e paixão que retrata, como nenhum outro, a atribulada relação dos pais com os seus filhos adolescentes. E vice-versa...
     É este o ponto de partida deste divertido livro de Isabel e Ana Stilwell, mãe e filha que, certamente, terão alguns conhecimentos sobre os atritos domésticos ,como todas as mães e filhos, como em todas as famílias...
     Imagina como seria se fosse contigo... Contas-nos?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um poema à sexta.

Os dois irmãos


Eu conheço dois meninos
que em tudo são diferentes.
Se um diz: "Dói-me o nariz!"
o outro diz: "Ai, meus dentes!"
Se um quer brincar em casa,
o outro foge para o monte;
e se este a casa regressa,
já o outro foi para a fonte.
É difícil conviver
com tanta contradição.
Quando um diz:"Oh, que calor!",
"Que frio!" - diz o irmão.
Mas quando a noitinha chega
com suas doces passadas,
pedem à mãe que lhes conte
histórias de Bruxas e Fadas.
E quando o sono esvoaça
por sobre o dia acabado,
dizem "Boa noite, mãe!"
e adormecem lado a lado.
Maria Alberta Menéres, Conto Estrelas em Ti, Campo das Letras

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ser Contracorrente...

Liberdade

Ai que prazer 
Não cumprir um dever, 
Ter um livro para ler 
E não fazer! 
Ler é maçada, 
Estudar é nada. 
Sol doira 
Sem literatura 
O rio corre, bem ou mal, 
Sem edição original. 
E a brisa, essa, 
De tão naturalmente matinal, 
Como o tempo não tem pressa... 

Livros são papéis pintados com tinta. 
Estudar é uma coisa em que está indistinta 
A distinção entre nada e coisa nenhuma. 

Quanto é melhor, quanto há bruma, 
Esperar por D.Sebastião, 
Quer venha ou não! 

Grande é a poesia, a bondade e as danças... 
Mas o melhor do mundo são as crianças, 

Flores, música, o luar, e o sol, que peca 
Só quando, em vez de criar, seca. 

Mais que isto 
É Jesus Cristo, 
Que não sabia nada de finanças 
Nem consta que tivesse biblioteca... 


                                        Fernando Pessoa, Cancioneiro                 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Convite à leitura I

Convite à leitura

E se um dia lhe viesse parar às mãos um livro cuja ação se passasse em 1961, com personagens chamadas Simão Botelho e Teresa de Albuquerque? Simão e Teresa no século XX? Deve ser engano! Tem razão em achar estranho pois estes são os nomes das personagens do Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, mas o livro existe e a história é engraçadíssima.
Trata-se do romance Espingardas e Música Clássica, de Alexandre Pinheiro Torres (1921-1999), cuja ação se passa em Ribatâmega, nos locais por onde Camilo andou e que retratou nos seus romances. Estamos em plena ditadura de Salazar, a chamada Índia Portuguesa acaba de ser ocupada pelas tropas da União Indiana e a nossa rádio não tinha autorização para noticiar o assunto, passando apenas música clássica. Entretanto, os operários da fábrica do juiz aposentado Tadeu de Albuquerque, pai de Teresa, atreviam-se a fazer greve, sendo necessário chamar a GNR para impor a ordem e prender os agitadores. Adivinham agora quem era o cabecilha da revolta? Simão Botelho, pois claro, que irá parar aos calabouços, acompanhado de mais dois Simão Botelho, para grande espanto do leitor e confusão das autoridades. A explicação é simples: nas terras de Camilo, todas as famílias Botelho têm um filho Simão em homenagem ao escritor, porque, como explica o caseiro Serafim, pai de Simão, «todos nós, os de poucas letras, só lemos até hoje o catecismo e o Amor de Perdição».

É, portanto, um romance cheio de ironia, onde reencontramos personagens do Amor de Perdição encaixadas numa história em que se critica o salazarismo. Vale a pena lê-lo e, já agora, reler também o romance de Camilo Castelo Branco.



Ana Luz
AMOR DE PERDIÇÃO, Camilo Castelo Branco, Porto Editora
ESPINGARDAS E MÚSICA CLÁSSICA, Alexandre Pinheiro Torres, Caminho

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Passatempo: ganha livros!

     A propósito deste livro, em reedição, há um passatempo no blogue Viajar pela Leitura, em parceria com a editora Civilização, no link abaixo. Há livros para receber e não custa nada participar. Tens até dia 27 de janeiro.
     É só clicar e ir ver o que se passa. Depois, poderás ter a sorte de conhecer a vida de Sofia e seus amigos, típicos adolescentes, com suas aventuras e desventuras, descobertas e amores. 
Boa sorte!

Um poema à sexta.

Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

               Ricardo Reis

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Um poema à sexta.

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O' Neill

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Um poema à sexta.

Janeiras

Já os três reis são chegados
À lapinha de Belém
A adorar o Deus Menino
Nos braços da Virgem Mãe.

Os três reis do Oriente
Vieram com grande cuidado
Visitar o Deus Menino
Por uma estrela guiados.

A linda estrela os guiou
Até à sua cabaninha
Onde estava o Deus Menino
Deitadinho na palhinha.

Venho dar as Boas Festas
As Boas Festas d' Alegria
Que vos manda o Rei da Glória
Filho da Virgem Maria. 

(popular)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

E vocês, atrevem-se??

Atrevam-se a ler... aqui! Há concurso e prémios!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Recomeçar

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga
 
      A propósito deste recomeço de vida que é o segundo período escolar, desejamos a todos os nossos leitores um feliz 2012, cheio de palavras e livros, cheio de textos, memórias e descobertas, tudo de bom, afinal, num ano já tão mal amado e tão mal fadado... Porque, como diz outro dos nossos poetas, «tudo vale a pena...» e viver vale sempre a pena, descobrir pessoas mesmo ao nosso lado, e palavras num livro ali escondido, mais umas brincadeiras e um pôr-do-sol... digam lá se não encontraremos, ao nosso ritmo, algo que nos agrade neste ainda pequeno 2012??

MJ Monteiro