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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Onda Pina - poema à sexta

Aos FilhosJá nada nos pertence, 
nem a nossa miséria. 
O que vos deixaremos 
a vós o roubaremos. 

Toda a vida estivemos 
sentados sobre a morte, 
sobre a nossa própria morte! 
Agora como morreremos? 

Estes são tempos de 
que não ficará memória, 
alguma glória teríamos 
fôssemos ao menos infames. 

Comprámos e não pagámos, 
faltámos a encontros: 
nem sequer quando errámos 
fizemos grande coisa! 

Manuel António Pina, in "Um Sítio onde Pousar a Cabeça"

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Onda Pina - Poema à sexta

Amor como em CasaRegresso devagar ao teu 
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que 
não é nada comigo. Distraído percorro 
o caminho familiar da saudade, 
pequeninas coisas me prendem, 
uma tarde num café, um livro. Devagar 
te amo e às vezes depressa, 
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo, 
regresso devagar a tua casa, 
compro um livro, entro no 
amor como em casa. 

Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Lobo Antunes: tenho um medo permanente de isto ter acabado»...

Porque há personalidades que só por serem como são já justificariam uma entrevista... Depois, a forma de escrita... Leiam uma entrevista a António Lobo Antunes aqui

terça-feira, 11 de novembro de 2014

São Martinho - lenda e costumes tradicionais

É no dia onze de novembro, data em que foi sepultado em Tours, França, que se comemora o dia de São Martinho. Fiquem a conhecer a história!

São Martinho, ou Martinho de Tours, nasceu em cerca de 316 na antiga cidade de Savaria, na Panónia, uma antiga província na fronteira do Império Romano, na atual Hungria. Filho de um comandante romano, cresceu na região de Pavia, em Itália, numa família pagã. Criado para seguir a carreira militar, foi convocado para o exército romano quando tinha quinze anos, viajando por todo o Império Romano do Ocidente.
Apesar de ter recebido uma educação pagã, foi em adolescente que Martinho descobriu o Cristianismo. Mas foi só mais tarde, em 356, depois de ter abandonado o exército que foi batizado. Tornou-se discípulo de Santo Hilário, bispo de Poitiers (na zona oeste da atual França), que o ordenou diácono e presbítero, regressando de seguida a Panónia, onde converteu a mãe. Mudou-se depois para Milão, de onde terá sido expulso juntamente com Santo Hilário. Isolado, terá passado algum tempo na ilha da Galinária, ao largo da costa italiana.
De volta à Gália, foi perto de Poitiers que fundou o mais antigo mosteiro conhecido na Europa, na região de Ligugé. Conhecido pelos seus milagres, o santo atraía multidões. Foi ordenado bispo de Tours em 371 e fundou o mosteiro de Marmoutier, na margem do rio Loire, onde vivia na reclusão. Pregador incansável, foi também o fundador das primeiras igrejas rurais na região da Gália, onde atendia tanto ricos como pobres. Morreu a oito de novembro de 397 em Candes e foi sepultado a onze de novembro em Tours, local de intensa peregrinação desde o século V.
É na data do seu enterro, três dias depois de ter morrido em Candes, que se comemora o dia que lhe é dedicado. Acredita-se que, na véspera e no dia das comemorações, o tempo melhora e o sol aparece. O acontecimento é conhecido pelo “verão de São Martinho” e é muitas vezes associado à conhecida lenda de São Martinho.

A lenda de São Martinho

Num dia frio e chuvoso de inverno, Martinho seguia montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada que lhe pudesse dar, pegou na espada e cortou o manto ao meio, cobrindo-o com uma das partes. Mais à frente, voltou a encontrar outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Sem nada que o protegesse do frio, Martinho continuou viagem. Diz a lenda que, nesse momento, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias.
Na noite seguinte, Cristo apareceu a Martinho num sonho. Usando o manto do mendigo, voltou-se para a multidão de anjos que o acompanhavam e disse em voz alta: “Martinho, ainda catecúmeno [que não foi batizado], cobriu-me com esta veste”.

As tradições do dia de São Martinho

O dia de São Martinho é festejado um pouco por toda a Europa, mas as celebrações variam de país para país. Em Portugal é tradição fazer-se um grande magusto, beber-se água-pé e jeropiga. Esta é também uma altura em que se prova o novo vinho, produzido com a colheita do ano anterior. Como diz o ditado popular, “no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”.

De acordo com alguns autores, como José Leite de Vasconcelos e Ernesto Veiga de Oliveira, a realização dos magustos remonta a uma antiga tradição de comemoração do Dia de Todos os Santos, onde se acendiam fogueiras e se assavam castanhas. Em outros países, como na Alemanha, acendem-se fogueiras e fazem-se procissões, e em Espanha matam-se porcos, tradição que deu origem ao ditado popular “a cada cerdo le llega su San Martín” (“cada porco tem o seu São Martinho”, ou, se preferirem, «cada coisa tem o seu momento»). Também no Reino Unido existe a expressão “verão de São Martinho” que, apesar de já raramente utilizada, está também ligada com a crença de que o tempo melhora nos dias que antecedem o feriado.
in http://observador.pt/2014/11/11/historia-sao-martinho/ (adaptado)

domingo, 2 de novembro de 2014

Para quem comenta «Ah, o Halloween nada tem a ver connosco!»...

O nosso «Pão por Deus»

Tradição portuguesa tem muitas semelhanças com o Halloween norte-americano

Podem parecer duas coisas diferentes, mas há semelhanças entre o «Trick or treat» e o nosso «Pão por Deus», cada vez mais em desuso.


Na região de Leiria e até mesmo na Estremadura, milhares de crianças saem à rua no Dia de Todos os Santos para pedir o «bolinho» ou o «Pão por Deus», uma tradição ancestral que tem algumas semelhanças com o Halloween norte-americano.
Nos Estados Unidos, as crianças percorrem as casas dos vizinhos na véspera do Dia de Todos os Santos a pedir doces, mas, em Portugal, essa visita é feita na manhã do feriado, sem conotações sobrenaturais ou ameaças de partidas a quem não tiver nada para dar.
Em Leiria, crianças, transportando saco ou mochila, percorrem ruas e ruelas de aldeias, vilas e até cidades, e batem à porta de familiares, vizinhos e desconhecidos, com a tradicional frase: ’Ó tia, dá bolinho?’. Na ausência de bolinho, as ofertas passam por chocolates, rebuçados ou dinheiro.
Segundo o especialista em questões etnográficas José Travaços Santos, esta tradição, que chegou a ser extensiva a todo o território nacional, vai ’buscar os seus princípios ao Cristianismo’, ’Trata-se de expressar a solidariedade e o amor pelos outros, principalmente pelas crianças’, disse à Lusa.
’Noutros tempos, em que a fome apertava, este era o dia das crianças tirarem a barriga da miséria’, recordou José Travaços Santos, acrescentando: ’Era uma manhã dedicada às crianças, em que se tratavam os vizinhos por «tu» e ninguém negava o bolinho’.
Embora reconhecendo algumas alterações, sobretudo a substituição do bolinho por doces ou dinheiro, o historiador anotou que a explicação para esta mudança pode ser encontrada no comodismo das pessoas, que já não fazem bolinhos em casa, ou no materialismo desta época, visível na oferta de dinheiro.
Por outro lado, José Travaços dos Santos admitiu que para esta situação também contribui o facto de se terem fixado na região de Leiria ’pessoas de fora, que não têm os mesmos costumes’.
Por isso, não estranha que mais facilmente se peça «o bolinho» que o «Pão por Deus» ou o «santorinho». ’Estas expressões perderam-se nos últimos anos, mas tinham o mesmo significado’, observou o etnógrafo, admitindo igualmente que o espírito de solidariedade, marca do Dia de Todos os Santos noutros tempos, esteja a desaparecer, assim como a confraternização entre vizinhos.
’Neste dia, as manhãs eram para as crianças e à tarde era hábito as pessoas abrirem as casas para receber familiares e vizinhos para confraternizar’, recordou José Travaços dos Santos.
in
http://www.portugalvivo.com/o-nosso-pao-por-deus.html