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Onda Pina - um poema à sexta
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M João Monteiro
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A um Jovem Poeta Procura a rosa. Onde ela estiver estás tu fora de ti. Procura-a em prosa, pode ser que em prosa ela floresça ainda, sob tanta metáfora; pode ser, e que quando nela te vires te reconheças como diante de uma infância inicial não embaciada de nenhuma palavra e nenhuma lembrança. Talvez possas então escrever sem porquê, evidência de novo da Razão e passagem para o que não se vê. Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança"
Onda Pina - poema à sexta
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M João Monteiro
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Lugares da Infância Lugares da infância onde sem palavras e sem memória alguém, talvez eu, brincou já lá não estão nem lá estou. Onde? Diante de que mistério em que, como num espelho hesitante, o meu rosto, outro rosto, se reflecte? Venderam a casa, as flores do jardim, se lhes toco, põem-se hirtas e geladas, e sob os meus passos desfazem-se imateriais as rosas e as recordações. O quarto eu não o via porque era ele os meus olhos; e eu não o sabia e essa era a sabedoria. Agora sei estas coisas de um modo que não me pertence, como se as tivesse roubado. A casa já não cresce à volta da sala, puseram a mesa para quatro e o coração só para três. Falta alguém, não sei quem, foi cortar o cabelo e só voltou oito dias depois, já o jantar tinha arrefecido. E fico de novo sozinho, na cama vazia, no quarto vazio. Lá fora é de n...
Concurso Inês de Castro
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M João Monteiro
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Onda Pina - poema à sexta
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M João Monteiro
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Aos Filhos Já nada nos pertence, nem a nossa miséria. O que vos deixaremos a vós o roubaremos. Toda a vida estivemos sentados sobre a morte, sobre a nossa própria morte! Agora como morreremos? Estes são tempos de que não ficará memória, alguma glória teríamos fôssemos ao menos infames. Comprámos e não pagámos, faltámos a encontros: nem sequer quando errámos fizemos grande coisa! Manuel António Pina, in "Um Sítio onde Pousar a Cabeça"
Onda Pina - Poema à sexta
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M João Monteiro
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Amor como em Casa Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que não é nada comigo. Distraído percorro o caminho familiar da saudade, pequeninas coisas me prendem, uma tarde num café, um livro. Devagar te amo e às vezes depressa, meu amor, e às vezes faço coisas que não devo, regresso devagar a tua casa, compro um livro, entro no amor como em casa. Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"