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Um poema à sexta...

CANÇÃO ( Poema dedicado a Catarina Eufémia ) Na fome verde das searas roxas  passeava sorrindo Catarina.  Na fome verde das searas roxas  ai a papoula cresce na campina!  Na fome roxa das searas negras  que levas, Catarina, em tua fronte?  Na fome roxa das searas negras  ai devoravam os corvos o horizonte!  Na fome negra das searas rubras  ai da papoula, ai de Catarina!  Na fome negra das searas rubras  trinta balas gritaram na campina.  Trinta balas  te mataram a fome, Catarina. Papiniano Carlos

Papiniano Carlos (1918 - 2012)

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O escritor Papiniano Carlos, um dos últimos representantes do neo-realismo português, morreu no passado dia cinco de dezembro, no Porto.  O poeta, autor de   Sonhar a Terra Livre e Insubmissa , que somava mais de 60 anos de militância comunista, contava 94 anos. Papiniano Manuel Carlos Vasconcelos Rodrigues nasceu em Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique, a 9 de Novembro de 1918, fixando-se no Porto, aos 10 anos, onde estudou. Publicou o primeiro livro de poesia em 1942,   Esboço , quatro anos antes de   Terra com Sede , a sua estreia na ficção, e de   Estrada Nova , com capa de Júlio Pomar, obra que seria apreendida pela PIDE, a polícia política da ditadura. A adesão do escritor ao PCP remonta ao final da década de 1940, no pós-guerra, actuando na clandestinidade com o nome "Garcia", numa alusão ao poeta andaluz Federico Garcia Lorca. Na mesma altura, depois de ter frequentado a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, dedicou-se ao e...

Um poema à sexta...

Eu sou a Menina Gotinha de Água,  Gotinha azul do mar,  Que fui nuvem no ar,  Chuva abençoada,  Fonte a cantar,  Ribeiro a saltar,  Rio a correr,  e que volta à sua casa  Casa no mar  Onde vai descansar  Dormir e sonhar   Antes que de novo  Torne a ser  Nuvem no ar,  Chuva abençoada,  Fonte a cantar,  Ribeiro a saltar,  Rio a correr  E mar  Uma vez mais.  Papiniano Carlos