segunda-feira, 29 de outubro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
Um poema à sexta...
Eu sou a Menina Gotinha de Água,
Gotinha azul do mar,
Que fui nuvem no ar,
Chuva abençoada,
Fonte a cantar,
Ribeiro a saltar,
Rio a correr,
e que volta à sua casa
Casa no mar
Onde vai descansar
Dormir e sonhar
Antes que de novo
Torne a ser
Nuvem no ar,
Chuva abençoada,
Fonte a cantar,
Ribeiro a saltar,
Rio a correr
E mar
Uma vez mais.
Papiniano Carlos
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Gigões e anantes
Gigões são anantes muito grandes.
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes porque
uns são um bocado mais outros são um bocado menos.
Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão,
e esse nem se sabia se ele cabia ou não.
Só havia uma maneira de os distinguir:
era chegar ao pé deles e perguntar:
Mas eram tão grandes que não se podia lá chegar!
E nunca se sabia se estavam a mentir!
Então a Ana como não podia
resolver o problema arranjou uma teoria:
xixanava com eles e o que ficava
xubiante ou ximbimpante era o gigão,
e o anante fingia que não.
A teoria nunca falhava porque era toda
com palavras que só a Ana sabia.
E como eram palavras de toda a confiança
só queriam dizer o que a Ana queria.
MANUEL ANTÓNIO PINA
O Têpluquê e outras histórias
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes porque
uns são um bocado mais outros são um bocado menos.
Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão,
e esse nem se sabia se ele cabia ou não.
Só havia uma maneira de os distinguir:
era chegar ao pé deles e perguntar:
Mas eram tão grandes que não se podia lá chegar!
E nunca se sabia se estavam a mentir!
Então a Ana como não podia
resolver o problema arranjou uma teoria:
xixanava com eles e o que ficava
xubiante ou ximbimpante era o gigão,
e o anante fingia que não.
A teoria nunca falhava porque era toda
com palavras que só a Ana sabia.
E como eram palavras de toda a confiança
só queriam dizer o que a Ana queria.
MANUEL ANTÓNIO PINA
O Têpluquê e outras histórias
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Manuel António Pina,
poesia infantil
Manuel António Pina (1943-2012)
Manuel
António Pina nasceu em 1943, no Sabugal, na Beira Alta; vivia no Porto desde os
17 anos numa casa com muitos gatos, que lhe davam material de sobra para os
poemas.
Durante
a infância, foi-lhe difícil fazer amigos. Andou de terra em terra por causa da
profissão do pai que era chefe das Finanças e também tinha o cargo de juiz das
execuções fiscais. A família nunca chegava a ficar mais de seis anos em cada
localidade. Foi o pai que o ensinou a ler e a escrever mesmo antes de ir para a
escola e treinava a ler os títulos do jornal 1º de Janeiro. Desde os seis ou
sete anos que escrevia poemas, que a sua mãe guardava, e embora só tivesse
publicado o primeiro livro de poemas em 1974, começou a escrevê-lo em 1965.
Apesar
de ter pensado ir para a Academia Militar, licenciou-se em direito em Coimbra. Foi
tendo vários empregos: nas Contribuições e Impostos, a fazer inquéritos de rua,
agência de informações comerciais, na Comissão dos Vinhos Verdes e ainda foi
vendedor e deu aulas de português. Nos anos 80 exerceu advocacia mas desistiu
da carreira para ir “trabalhar com palavras”.
Durante 30 anos, foi
jornalista do Jornal de Notícias,
onde começou a trabalhar em 1971 quando ainda cumpria o serviço militar. Nessa
altura, em tempos de ditadura, assinava com os seus nomes do meio: António
Mota. E como não podia aparecer nas fotografias das entrevistas ou reportagens
de frente, os fotógrafos chamavam-lhe o Sr. Costas. Desde 2001 que era
colaborador permanente do Público e
escrevia também para outros jornais e revistas.
Foi
professor da Escola Superior de Jornalismo do Porto e membro do Conselho de
Imprensa. Foi bolseiro do Centro Internacional de Teatro de Berlim junto do
Grips Theater, na Alemanha, e poeta residente convidado da cidade de
Villeneuve-sur-Lot, em França.
Tinha mais de 50 livros publicados e muitos dos seus livros nasceram da leitura de ensaios, disse na entrevista que deu depois de receber o Prémio Camões 2011 ao Público.
Tinha mais de 50 livros publicados e muitos dos seus livros nasceram da leitura de ensaios, disse na entrevista que deu depois de receber o Prémio Camões 2011 ao Público.
Foi só
depois do nascimento das suas filhas, a Sara em 1970 e a Ana em 1974, que
começou a escrever literatura infantil. Em 1988 recebeu o Prémio do Centro
Português para o Teatro para a Infância e Juventude (CPTIJ) pelo conjunto da
sua obra neste domínio. Em 1993, recebeu o Prémio Nacional de Crónica, Press
Club/ Clube de Jornalistas.
O primeiro
livro "para" crianças que Manuel António Pina escreveu tinha por
título O País das Pessoas de Pernas para
o Ar. Foi em 1973 e obrigou-o "a uma conversa com a PIDE, por ter desrespeitado
a religião católica". Motivo: a história «O Menino Jesus não Quer Ser Deus».
Depois desta obra
inicial, seguiram-se outras igualmente inovadoras, como Gigões & Anantes, O
Têpluquê, Perguntem aos Vossos Gatos
e Cães ou O Inventão.
Algumas
das suas obras foram adaptadas ao cinema e à televisão, transpostas para BD,
bem como musicadas e editadas em disco. Trabalhou muito com a Companhia de
Teatro portuense «Pé de Vento».
(adaptado de Público online)
Um poema à sexta...
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