A quantas andamos?

Daisypath Christmas tickers

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Um poema à sexta...


Poesia ao nascer do dia

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão 

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão 

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher 

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão 

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão 
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Ary dos Santos

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Livros no Natal

Biblioteca Pública de Lauenburge Elbe

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Imagens com livros 9


Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra 

Biblioteca Geral da UC
Esta biblioteca foi fundada em 1537 com o estabelecimento da universidade, e reconstruída em 1725. A menor e mais distinta área da biblioteca é a Biblioteca Joanina, um ícone de arquitetura e beleza. A biblioteca abriga cerca de 250 mil volumes, que abrangem áreas da medicina à filosofia. Por ter sido construída e decorada completamente por artistas portugueses, é um dos monumentos nacionais mais valorizados no país.
 
 Aspeto da Biblioteca Joanina (imagem daqui)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Um poema à sexta...

ANTEMANHÃ

O mostrengo que está no fim do mar
veio das trevas a procurar
a madrugada de um novo dia,
do novo dia sem acabar;
e disse, «Quem é que dorme a lembrar
que desvendou o Segundo Mundo,
nem o Terceiro quer desvendar?»

E o som na treva de ele rodar
faz mau o sono, triste o sonhar.
Rodou e foi-se o mostrengo servo
que seu senhor veio aqui buscar.
Que  veio aqui seu senhor  chamar-
chamar Aquele que está dormindo
e foi outrora senhor do Mar.

Fernando Pessoa, Mensagem

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Outras cabeças, outros leitores... 2


A minha imaginação

 

  É graças à minha imaginação e interesse pelas coisas que eu gosto de ler.
  Ler é muita coisa! Pode ser leitura informativa, realista, ambientalista…
  Eu não sei bem que tipo de leitora me tornei, eu gosto de ler as mais variadas coisas, eu leio um pouco de tudo e gosto muito, pois assim tenho uma pequena ideia do que se passa à minha volta, é uma forma de sonhar.
   Eu sou leitora desde muito nova, antes eu lia a partir dos desenhos, era muito engraçado e divertido, pois eu descrevia tudo o que observava.
  Agora, leio por outros meios, pelas letras, é completamente diferente; Por graça, fiz uma experiência: lia um livro e quando o acabava de ler, voltava ao início e contava-o de novo, mas por desenhos. Adorei a experiência! Um dos aspetos importantes que me ajudaram a ler e a gostar de ler foi a escola, foi fundamental.
  Eu gosto muito de ler e aconselho a toda a gente que também goste, lendo e aprendendo a gostar.
 

Mariana Graça
                                                                                 7ºE  Nº17

Imagens com livros 8

Onde é que a leitura leva a tua imaginação?
 Ao sabor do vento, do pensamento.
 Onde vais tu chegar? 
E por onde passas, nessa viagem sem horas marcadas, sem destino certo, só ao sabor da mente e do pensamento?
 À alegria de viajar, cá dentro...
 À satisfação de saber mais, de pensar e sonhar...
Conta-me tu: onde te levam as palavras do livros que lês?
Que palavras te trazem aqui?

Imagem daqui

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um poema à sexta...

Sangue  

Versos
escrevem-se
depois de ter sofrido.
O coração
dita-os apressadamente.
E a mão tremente
quer fixar no papel os sons dispersos...

É só com sangue que se escrevem versos.


Saúl Dias, in "Sangue"

Outras cabeças, outros leitores... 1



Que leitor sou?

            Para mim, os livros são como os doces... São bons, saborosos e um pecado que cometo. Gosto de ler a qualquer hora do dia, a qualquer momento do ano.
            Claro que, às vezes, quando me embrenho nas minhas leituras, esqueço-me completamente do que tinha para fazer. Infelizmente, isto acontece-me várias vezes. Mas, como se diz, até aos melhores acontece.
            Posso classificar-me como um leitor guloso. Gosto de tudo o que tenha aventura, mistério, ou até uma pitada de romance ou terror. Enfim, de tudo um pouco!
            Comecei a desenvolver as minhas qualidades de leitor precocemente, quando o meu avô e a minha mãe me ensinaram a ler. Tinha apenas dois anos e meio...
            Como sabemos, a leitura é um vício, e estimulei-o da melhor maneira que havia para um garoto de tenra idade: lendo revistinhas de banda desenhada! Passava horas a ler revistas do Tio Patinhas, do Pato Donald... Enfim!
            Fui crescendo e, quando entrei para a pré-primária, aos 4 anos, comecei a fascinar-me por livros de “Os Cinco”, mas não eram tão divertidos como as BDs.
            Aos 6 anos, para além de ter acontecido um ponto de viragem no meu pequeno mundo, também mudei de leituras. Fiquei surpreendido pelos livros de “Uma Aventura”. Podia ter sido pelo facto de ter visto a série na TV, ou de ter conhecido as autoras, que visitaram a minha escola.
            Então, quando entrei para o 2º ciclo, comecei a interessar-me por leituras mais “adultas”. Li cerca de sete ou oito livros do detetive Maigret (de Georges Simenon) no 5º ano. Mas nas férias grandes seguintes, li toda a coleção do Harry Potter.
            No ano passado, li imensos livros, mas apenas gostei de um: “Os Três Mosqueteiros”, de Dumas. Um romance com ação e até terror.
            Acho que foram estas boas experiências de leitura que me levaram a escolher este tipo de géneros e que me encorajaram a ler, faça chuva ou faça sol!
Pedro Silva, nº23, 7ºE

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Imagens com livros 7

Biblioteca do Trinity College  (Dublin, Irlanda)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Um poema à sexta...

Por Todos os Caminhos do Mundo  

A minha poesia é assim como uma vida que vagueia pelo mundo,

por todos os caminhos do mundo,

desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar num jardim nocturno,

ora um deserto que o simum veio modificar,

ora a miragem de se estar perto do oásis,
ora os pés cansados, sem forças para além.

Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe
o rumo e a hora de o atingir,
a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado
de que a tempestade não lhe abalará o palácio,
a doçura de quem nada tem a regatear,
o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.

Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo norte.

Que ninguém me peça nada. Nada.
Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
com a minha noite que nem sempre é noite
como a alma quer.

Não sei caminhos de cor.


Fernando Namora, in 'Mar de Sargaços'

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Imagens com livros 6

Biblioteca Internacional do Livro Infantil, Tóquio
https://www.facebook.com/improbableslibrairiesimprobablesbibliotheques

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Um poema à sexta...

Passei o Dia Ouvindo o que o Mar Dizia  

Eu ontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.

Chorámos, rimos, cantámos.


Falou-me do seu destino,

Do seu fado...

Depois, para se alegrar,

Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Pôs-se a cantar
Um canto molhado e lindo.

O seu hálito perfuma,
E o seu perfume faz mal!

Deserto de
águas sem fim.

Ó sepultura da minha raça

Quando me guardas a mim?...

Ele afastou-se calado;

Eu afastei-me mais triste,
Mais doente, mais cansado...

Ao longe o Sol na agonia

De roxo as aguas tingia.

«Voz do mar, m
isteriosa;
Voz do amor e da verdade!
- Ó voz moribunda e doce
Da minha grande Saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte...»
. . . . . . . . . . . . . . . .

E os poetas a cantar

São ecos da voz do mar!

António Botto, in 'Canções'

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Imagens com livros 5

Bolsa de livros em Tournai, Bélgica


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Um poema à sexta...

Chove. Há Silêncio  

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Atreve-te a ler!

Todos os meses a Biblioteca da Ferreira Dias lança este desafio: atreve-te a ler! Dá a sugestão de um livro e propõe que escrevam sobre ele. É a oportunidade de descobrir escritores desconhecidos e títulos interessantes: Espreitem aqui!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Imagens com livros 4

Livros em miniatura
in: https://www.facebook.com/improbableslibrairiesimprobablesbibliotheques

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Um poema à sexta...

 Viagem 

 É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...


Miguel Torga, in 'Diário XII'

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Imagens com livros 3

Charles Shultz, Peanuts

sábado, 27 de outubro de 2012

Escolas sem plano nacional de leitura?

Vejam como é...


AQUI...

Um poema à sexta...

Eu sou a Menina Gotinha de Água, 
Gotinha azul do mar, 
Que fui nuvem no ar,
 Chuva abençoada,
 Fonte a cantar,
 Ribeiro a saltar,
 Rio a correr, 
e que volta à sua casa
 Casa no mar
 Onde vai descansar
 Dormir e sonhar 
 Antes que de novo
 Torne a ser
 Nuvem no ar,
 Chuva abençoada,
 Fonte a cantar, 
Ribeiro a saltar, 
Rio a correr
 E mar
 Uma vez mais. 
Papiniano Carlos



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Imagens com livros 2

Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra, Portugal

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Gigões e anantes

Gigões são anantes muito grandes.
Anantes são gigões muito pequenos.
Os gigões diferem dos anantes porque
uns são um bocado mais outros são um bocado menos.

Era uma vez um gigão tão grande, tão grande,
que não cabia. – Em quê? – O gigão era tão grande
que nem se sabia em que é que ele não cabia!
Mas havia um anante ainda maior que o gigão,
e esse nem se sabia se ele cabia ou não.

Só havia uma maneira de os distinguir:
era chegar ao pé deles e perguntar:
Mas eram tão grandes que não se podia lá chegar!
E nunca se sabia se estavam a mentir!

Então a Ana como não podia
resolver o problema arranjou uma teoria:
xixanava com eles e o que ficava
xubiante ou ximbimpante era o gigão,
e o anante fingia que não.

A teoria nunca falhava porque era toda
com palavras que só a Ana sabia.
E como eram palavras de toda a confiança
só queriam dizer o que a Ana queria.


MANUEL ANTÓNIO PINA
O Têpluquê e outras histórias

Manuel António Pina (1943-2012)





Manuel António Pina nasceu em 1943, no Sabugal, na Beira Alta; vivia no Porto desde os 17 anos numa casa com muitos gatos, que lhe davam material de sobra para os poemas.
Durante a infância, foi-lhe difícil fazer amigos. Andou de terra em terra por causa da profissão do pai que era chefe das Finanças e também tinha o cargo de juiz das execuções fiscais. A família nunca chegava a ficar mais de seis anos em cada localidade. Foi o pai que o ensinou a ler e a escrever mesmo antes de ir para a escola e treinava a ler os títulos do jornal 1º de Janeiro. Desde os seis ou sete anos que escrevia poemas, que a sua mãe guardava, e embora só tivesse publicado o primeiro livro de poemas em 1974, começou a escrevê-lo em 1965.
Apesar de ter pensado ir para a Academia Militar, licenciou-se em direito em Coimbra. Foi tendo vários empregos: nas Contribuições e Impostos, a fazer inquéritos de rua, agência de informações comerciais, na Comissão dos Vinhos Verdes e ainda foi vendedor e deu aulas de português. Nos anos 80 exerceu advocacia mas desistiu da carreira para ir “trabalhar com palavras”.
Durante 30 anos, foi jornalista do Jornal de Notícias, onde começou a trabalhar em 1971 quando ainda cumpria o serviço militar. Nessa altura, em tempos de ditadura, assinava com os seus nomes do meio: António Mota. E como não podia aparecer nas fotografias das entrevistas ou reportagens de frente, os fotógrafos chamavam-lhe o Sr. Costas. Desde 2001 que era colaborador permanente do Público e escrevia também para outros jornais e revistas.
Foi professor da Escola Superior de Jornalismo do Porto e membro do Conselho de Imprensa. Foi bolseiro do Centro Internacional de Teatro de Berlim junto do Grips Theater, na Alemanha, e poeta residente convidado da cidade de Villeneuve-sur-Lot, em França.
Tinha mais de 50 livros publicados e muitos dos seus livros nasceram da leitura de ensaios, disse na entrevista que deu depois de receber o Prémio Camões 2011 ao Público.
Foi só depois do nascimento das suas filhas, a Sara em 1970 e a Ana em 1974, que começou a escrever literatura infantil. Em 1988 recebeu o Prémio do Centro Português para o Teatro para a Infância e Juventude (CPTIJ) pelo conjunto da sua obra neste domínio. Em 1993, recebeu o Prémio Nacional de Crónica, Press Club/ Clube de Jornalistas.
O primeiro livro "para" crianças que Manuel António Pina escreveu tinha por título O País das Pessoas de Pernas para o Ar. Foi em 1973 e obrigou-o "a uma conversa com a PIDE, por ter desrespeitado a religião católica". Motivo: a história «O Menino Jesus não Quer Ser Deus».
Depois desta obra inicial, seguiram-se outras igualmente inovadoras, como Gigões & Anantes, O Têpluquê, Perguntem aos Vossos Gatos e Cães ou O Inventão.
Algumas das suas obras foram adaptadas ao cinema e à televisão, transpostas para BD, bem como musicadas e editadas em disco. Trabalhou muito com a Companhia de Teatro portuense «Pé de Vento».
(adaptado de Público online)

Um poema à sexta...



 FUMO
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...              Florbela Espanca


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Imagens com livros 1

Aqui há livros:
  
Biblioteca Clementinum, Praga

Verdades...


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Blog Action Day 2012

Mais uma vez, iniciamos o ano deste blogue escolar com a publicação no Blog Action Day, dia em que blogues ao redor do mundo escrevem sobre um tema, de forma a consciencializarem os leitores sobre a sua importância. Este ano, «The power of we» aponta-nos a necessidade de união, união para conseguirmos objetivos, para partilharmos experiências, para, em momentos mais difíceis, conseguirmos ultrapassar dificuldades. Porque estamos numa sociedade em que as pessoas se preocupam consigo e com os seus em detrimento dos valores sociais, é altura de sensibilizar quem nos rodeia para as vantagens da união. Já sabemos que é ela que faz a força e apontamos exemplos que devemos conhecer e partilhar. Aqui começo: o Banco Alimentar conta a fome que em Portugal angaria cada vez mais toneladas de comida para quem precisa apenas com a ajuda de voluntários, sendo eles particulares ou organizações (como os escuteiros) que doam tempo, bens ou serviços. Na escola, todos os anos se inicia uma recolha de bens para ajudar alguma instituição ou mesmo para efetuar uma visita de estudo que a maioria não tem condições de pagar. E tu, o que conheces que possa ser considerado «ajuda em grupo»? E o que podes fazer para ajudar os outros?


quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril, sempre!

25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
o dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 9 de março de 2012

Um poema à sexta.

Porque foi dia da mulher, hoje é dia de Florbela...

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!


Atenção ao filme sobre a vida desta poetisa que estreou esta semana. Vale a pena ver !

quinta-feira, 8 de março de 2012

Metafísica

“Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
   Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
   Mas porque a amo, e amo-a por isso,
   Porque quem ama nunca sabe o que ama
   Nem por que ama, nem o que é amar...”

Alberto Caeiro

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes
Saudades

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

                     Florbela Espanca

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Um poema à sexta.

A Leitora

A leitora abre o espaço num sopro subtil.
Lê na violência e no espanto da brancura.
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.
Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra.

Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.
Desce pelos bosques como uma menina descalça.
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva
em chama de água. Na imaculada superfície
ou na espessura latejante, despe-se das formas,

branca no ar. É um torvelinho harmonioso,
um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira
na sede obscura de palavras verticais.
A água move-se até ao seu princípio puro.
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Semana da Leitura - o livro.

A um Livro  

No silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,
A esse livro de mágoas que me deste.

Estranho livro aquele que escreveste,
Artista da saudade e do sofrer!
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!

Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma!
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto! ...

Poeta igual a mim, ai que me dera
Dizer o que tu dizes! ... Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto! ...

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

 Conta-nos o que encontraste num livro que parecia escrito para ti!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Semana da Leitura - que livros são os nossos? Qual a sua função para nós?

Os Meus Livros

Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"

Os meus livros estiveram sempre ao meu lado quando precisei de companhia, de ânimo, de distração. Como se fossem amigos indiscutíveis, levaram-me à descoberta de mundos e à descoberta de novas leituras nas mesmas páginas. Porque um livro não muda mas nós sim. E refletimo-nos nos livros que lemos e nos sentidos que neles achamos. Nesta Semana da Leitura da ESFD, vamos também falar de livros. Que vos dizem os vossos livros? Contem-me!

Semana da Leitura

     Começa hoje na nossa escola a semana dedicada à leitura. Apesar de lermos todos os dias (não é verdade?), nesta semana vamos contatar com diferentes práticas de leitura: com a grande cooperação da Biblioteca e dos colegas do grupo de português, haverá atividades que nos remetem para livros e leitura, um pouco para todos os gostos. Podem consultar melhor o programa na escola, nos cartazes de divulgação espalhados por todo o lado, junto do professor de português ou no link da biblioteca. 
     Para além da tradicional exposição de trabalhos feitos em vários anos e turmas do terceiro ciclo (e que coexiste com a dos colegas de artes, a tão fantástica «Todos diferentes, todos iguais», sobre a unidade na diversidade que é a nossa Ferreira), haverá o primeiro concurso de ortografia (vá, atreve-te: como se soletra otorrinolaringologista??), o segundo concurso de leitura em línguas estrangeiras, dramatizações, declamações de poemas, debates (um deles cheio de convidados fantásticos) e sabe-se lá que mais surpresas podemos encontrar!Já agora, que sugestão de atividade deixam para a Semana da Leitura?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Um poema à sexta.

Infância

Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.

Carlos de Oliveira, in 'Cantata'

sábado, 28 de janeiro de 2012

É meia-noite, chove e ela não está em casa...

         Imagina: recusas-te a colaborar nas tarefas da casa porque a escola e todas as tuas atividades te impedem de arrumar as roupas e a papelada da escola, de lavar o prato sujo do lanche e de devolver o leite ao frigorífico! E agora estás por tua conta! Como farias? 
     Imagina... Imagina: uma mãe que desaparece! Um resgate enviado pelo próprio pai - ela só voltará se os filhos fizerem a cama todos os dias e não deitarem as toalhas molhadas para o chão. Os cinco irmãos reúnem-se e decidem não aceitar a chantagem, e a pobre senhora é encarcerada num orfanato para mães abandonadas. Um romance de aventura, mistério e paixão que retrata, como nenhum outro, a atribulada relação dos pais com os seus filhos adolescentes. E vice-versa...
     É este o ponto de partida deste divertido livro de Isabel e Ana Stilwell, mãe e filha que, certamente, terão alguns conhecimentos sobre os atritos domésticos ,como todas as mães e filhos, como em todas as famílias...
     Imagina como seria se fosse contigo... Contas-nos?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um poema à sexta.

Os dois irmãos


Eu conheço dois meninos
que em tudo são diferentes.
Se um diz: "Dói-me o nariz!"
o outro diz: "Ai, meus dentes!"
Se um quer brincar em casa,
o outro foge para o monte;
e se este a casa regressa,
já o outro foi para a fonte.
É difícil conviver
com tanta contradição.
Quando um diz:"Oh, que calor!",
"Que frio!" - diz o irmão.
Mas quando a noitinha chega
com suas doces passadas,
pedem à mãe que lhes conte
histórias de Bruxas e Fadas.
E quando o sono esvoaça
por sobre o dia acabado,
dizem "Boa noite, mãe!"
e adormecem lado a lado.
Maria Alberta Menéres, Conto Estrelas em Ti, Campo das Letras

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ser Contracorrente...

Liberdade

Ai que prazer 
Não cumprir um dever, 
Ter um livro para ler 
E não fazer! 
Ler é maçada, 
Estudar é nada. 
Sol doira 
Sem literatura 
O rio corre, bem ou mal, 
Sem edição original. 
E a brisa, essa, 
De tão naturalmente matinal, 
Como o tempo não tem pressa... 

Livros são papéis pintados com tinta. 
Estudar é uma coisa em que está indistinta 
A distinção entre nada e coisa nenhuma. 

Quanto é melhor, quanto há bruma, 
Esperar por D.Sebastião, 
Quer venha ou não! 

Grande é a poesia, a bondade e as danças... 
Mas o melhor do mundo são as crianças, 

Flores, música, o luar, e o sol, que peca 
Só quando, em vez de criar, seca. 

Mais que isto 
É Jesus Cristo, 
Que não sabia nada de finanças 
Nem consta que tivesse biblioteca... 


                                        Fernando Pessoa, Cancioneiro