A quantas andamos?

Daisypath Christmas tickers

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Os Direitos do Leitor segundo Daniel Pennac

Os Direitos Inalienáveis (1) do Leitor

1
O Direito de Não Ler
2
O Direito de Saltar Páginas
3
O Direito de Não Acabar Um Livro
4
O Direito de Reler
5
O Direito de Ler Não Importa o Quê
6
O Direito de Amar os «Heróis» dos Romances
7
O Direito de Ler Não Importa Onde
8
O Direito de Saltar de Livro em Livro
9
O Direito de Ler em Voz Alta
10
O Direito de Não Falar do Que se Leu



in Pennac, Daniel, Como um Romance, Edições Asa, 1993

Neste livro, Daniel Pennac fala de como foi levado a gostar de ler Guerra e Paz aos 13 anos: o seu irmão mais velho tinha o dom do resumo e disse-lhe«-É a história de uma rapariga que gostava de um fulano e casou com outro.»... Resumo que lhe deixou uma curiosidade terrível e que só resolveu através da leitura do grande livro, uma leitura parcial que justifica com o Direito nº 2. Fala do que leva ou não os jovens e as crianças a ler e fala de formas de os motivar. Pega em cada um destes «direitos» e analisa-os.



1. obrigatórios

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Coração de Tinta

Coração de Tinta (ou Inkheart), de Cornelia Funke, preencheu os meus últimos dias. Comprei-o porque tinha visto uma apresentação ou uma publicidade do filme na televisão mas só guardei uma ideia: falava de um leitor cuja voz dava vida ao que lia... Descobri que a autora era uma premiada escritora de livros de fantasia e não que era um texto feito para cinema (com a falta de qualidade que habitualmente têm). Tem cerca de 400 páginas que não se lêem depressa (e eu leio depressa...). Gostei, gostei muito mas vamos ver se vos consigo transmitir algo.
Meggie vive com o pai, Mo, que é restaurados de livros, numa casa cheia deles. No entanto, Mo nunca lê livros em voz alta e ela não sabe porquê. Além disso, a mãe desapareceu há tantos anos que ela nem se lembra delaa, apesar da foto debaixo da almofada do pai... Um dia, aparece um estranho misterioso a quem o pai chama Dedos de Pó e que, por sua vez, o trata por Língua de Feitiço... Vem avisá-los de um perigo iminente: será que conseguirão evitá-lo? A partir daqui, tudo se sucede desenfreadamente e há um sem fim de situações cujo desenlace não se adivinha sequer .
Está bem escrito, muito bem, mas é de fácil leitura. Fala do medo, do medo antigo trazido pelas histórias de fadas (ou dos contos tradicionais), em que o Bem e o Mal ocupam lugares opostos e não se misturam. Fala de maravilhamento e de coragem, do que podemos fazer pelos que amamos. O fim traz-nos um suspiro de alívio, apesar de alguns aspectos «mal resolvidos» (não há fins totalmente felizes, é o que este livro também nos ensina...) mas, e só descobri agora, ao procurar os links, é o primeiro de uma TRILOGIA!! Não posso esperar para saber mais!

domingo, 17 de maio de 2009

Manuel Alegre, Cão como nós




FICHA DE LEITURA

Identificação do livro:

Título: Cão Como Nós

Autor (es): Manuel Alegre

Editor: Dom Quixote


Aspectos paratextuais: a capa
1. Descreve resumidamente a capa do livro em questão.

A capa do livro Cão Como Nós contém o título, o autor, o editor, assim como o número da edição. No centro possui uma imagem (um cão branco com manchas castanhas, de raça épagneul-breton).

2.Associa a imagem da capa à história do livro.
A imagem da capa retrata um cão de raça épagneul-breton e está inteiramente relacionada com a história do livro, uma vez que esta é sobre a vida de um cão no seio de uma família. Cão este que o autor considera diferente de todos os outros, simplesmente porque lhe pertencia, tanto a ele como à sua família.

Resumo:
Trata-se de um livro auto-biográfico, que retrata um período da vida do autor e da sua família.
A história do livro é sobre um cão que era diferente de todos os outros. Era um cão rebelde, caprichoso e desobediente, que achava que não era cão e que queria ser como qualquer outro elemento da família. A família era constituída pelos avós maternos, os donos ou pais, por três filhos e pelo cão, que se veio juntar à família antes do nascimento da primeira filha. O seu nome era Kurika, nome inspirado numa história de Henrique Galvão. Kurika olhava a sua dona como uma mãe e sempre que achava que esta se encontrava em perigo, ficava aflito e protegia-a com grande amor, porque não queria perder novamente a sua mãe. Com os filhos, achava-se um irmão, mas a relação mais complicada era com o dono e escritor do livro, porque o cão não o achava um pai e nem ele o considerava como um filho, pois achava que cão é cão.
A relação entre o autor e o cão foi-se tornando cada vez mais forte, principalmente após Kurika lhe ter salvo a vida. Kurika apercebeu-se que ele tinha adormecido, esquecendo-se do café ao lume, pelo que fez muito barulho e começou a raspar a porta do seu quarto. Manuel Alegre acordou e foi apagar de imediato o lume e abrir as janelas da casa, ficando assim a dever a sua vida a Kurika. Apercebeu-se que, afinal, Kurika não era um cão igual aos outros.
Quando o avô morreu, todos sentiram muito a sua falta, especialmente Kurika, pois nos dias seguintes, ele continuou a enroscar-se junto à cadeira, como se ainda o sentisse e achasse que ele ainda não tinha partido.
Os anos foram passando e Kurika, assim como os filhos do autor, foram crescendo, até que o filho mais velho partiu para uma guerra no Afeganistão e o cão foi perdendo alguma agilidade. Até que, certo dia, Kurika teve um ataque epiléptico, tombando contra tudo e revirando os olhos. Foi ao veterinário e sobreviveu, o que era um sinal de que o cão ainda não queria morrer. Mas, ao segundo ataque não sobreviveu; por mais que quisesse continuar a viver para estar com a sua família, já não tinha mais forças para lutar contra a morte.
Manuel Alegre pretende transmitir aos seus leitores o quanto se pode amar um animal e a importância que este pode ter numa família.

Opinião pessoal
Aconselho este livro a todas as pessoas que gostem de animais mas, sobretudo, que gostem de uma história real e bonita
porque se trata de um livro que possui uma história surpreendente e algo comovente sobre um cão que, ao longo do tempo, foi perdendo a sua rebeldia e desobediência e afeiçoando-se cada vez mais às pessoas que o rodeavam e que tanto gostavam dele. Acho que quem tem ou teve cães irá de certeza reconhecer as alegrias, as tristezas e o companheirismo vivido entre esta família e o seu cão.

Um trabalho de :
Luís Martins
8ºD, Nº 18

quinta-feira, 26 de março de 2009

Biblioteca Infantil de Livros Digitais

Porque de pequenino é que se começa a gostar de livros, vejam aqui como fazer as delícias dos elementos mais novos da família.

Com as férias da Páscoa à porta, uma sugestão:

quarta-feira, 18 de março de 2009

Quero ser outro

Autores: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

Editora: Caminho

Colecção: Quero Ser

Capa: A capa deste livro tem três das personagens da história, talvez as inicialmente principais. Um rapaz, Alexandre e duas raparigas, Maria e Sibila.

Eu acho a capa deste livro adequada para a história, pois apresenta três das suas personagens.

Classificação: Aventura, Ficção

Resumo: Alexandre estava farto da sua vida, o pai estava a trabalhar na plataforma de petróleo do mar Cáspio e ele estava a morar com a sua madrasta com quem nunca se tinha dado bem. As notas da escola eram miseráveis e tinha sempre a Maria atrás, uma rapariga com um cheiro a maçã detestável que gostava dele e que ele não suporta. Alexandre tinha uma paixão por Sibila que não lhe ligava nenhuma.

Agora parecia que as coisas iam piorar, a madrasta Iraci tinha ido ao aeroporto buscar a sua prima Vanília, que Alexandre suponha que seria tão detestável como ela. Alexandre resolveu ir comer umas tostas mistas a uma esplanada das Docas. Enquanto caminhava nas Docas, á procura de uma boa esplanada ou de alguém conhecido, viu um rapaz de costas para ele, virado para o mar, que tinha uma cabeça e um cabelo que lhe parecia já ter visto em algum lado. Pensou que seria só uma impressão, pois não lhe parecia ninguém conhecido, então contornou as mesas para poder vê-lo melhor de frente e chegou á conclusão de que aquele rapaz não era só parecido, mas sim igual a ele.

Ao vê-lo o rapaz também ficou admirado, e pediu lhe para se sentar com um sorriso. O seu nome era Alex, e trabalhava a bordo do barco de um milionário, chamado Miles.

Começaram a partilhar coisas das suas vidas, Alex contava o quanto estava farto de tudo naquele barco, do mar, das ondas e Alexandre contava o quanto estava farto da família e da madrasta. Impressionado com as aventuras e desventuras que Alex lhe contava Alexandre disse que se pudesse trocava com ele. Alex ficou pasmado, agarrou--oquero ser outro - capa.bmp por um braço e disse que isso era possível, visto que eram iguais ninguém iria reparar. Alex sugeriu que Alexandre embarcasse em seu lugar e que ele fosse para sua casa fazer a sua vida durante um mês.

Alexandre estava de pé atrás, mas acabou por aceitar, não pondo de parte a hipótese de voltar atrás no último minuto. Trocaram bilhetes de identidade, telemóveis e Alex levou Alexandre ao barco onde este embarcaria de madrugada.

Despediram se e Alexandre entrou no barco, a cabina destinada ao empregado de bordo era pequena mas não o desagradou. Foi então que bateram à porta, era Renato o outro empregado de bordo. Passaram-se dias e Alexandre não tinha tido qualquer contacto com Alex, mesmo existindo um computador na cabina. Embora quisesse desligar de tudo, Alexandre não resistiu em ligar o computador e ver se havia novidades de Alex, mal o ligou viu uma mensagem dele a contar como tinham sido os seus primeiros dias e como tinha convencido Maria a mudar de perfume. Depois de umas boas gargalhadas a ler a mensagem de Alex e de lhe responder, era hora de voltar ao trabalho. Navegavam pelo Mediterrâneo, rumo a Veneza. O comandante do barco, Rugendas, era severo mas simpático e numa tarde tinham-no visto a pintar, bonitos quadros de paisagens.

Mal chegaram a Veneza, o comandante deu-lhes a tarde livre e eles resolveram ir passear pelas belas ruas da cidade. Alexandre nunca tinha estado em Veneza por isso apreciava deslumbrado as paisagens e monumentos, mas Renato já lá tinha estado então entreteve-se a olhar para as pessoas, as ruas estavam cheias de turistas, e Renato aproveitou esse facto para chocar com duas raparigas lindas que falavam numa língua desconhecida. Pedir desculpa foi a maneira que arranjou de meter conversa.

Eram suecas, uma chamava se Liv, e a outra Molin. Para as impressionar Renato inventou que tinha nascido ali perto mas que agora estava a morar em Roma em casa do primo, que era supostamente Alexandre e fingiu-se o guia turístico de Liv, chegando depois a beijá-la. Alexandre, também não se ficou atrás e beijou Molin.

Renato não se contentava e continuou a inventar factos da sua vida e da de Alexandre, para as impressionar, inventando até que Alexandre era muito rico. As raparigas estavam ali em visita de estudo e por isso tinham de se ir embora. Renato fez questão de dizer que queria voltar a vê-las, então combinaram um jantar para a noite seguinte no Hotel Danieli, o hotel mais caro da cidade onde elas pensavam que eles estavam instalados. Despediram-se e com um “Até amanhã”.

Agora estavam os dois metidos num sarilho, porque não tinham dinheiro que chegasse para um jantar no Danieli. Enquanto caminhavam para o barco pensavam ambos em maneiras de se livrarem desta. Pensaram em não aparecer ou ir lá jantar e não pagar a conta. Perante tudo isto, Molin não saia da cabeça de Alexandre.

quero ser outro - capa.bmpA meio do caminho, viram o comandante dentro de um café, com outro homem a contar dinheiro, depois saíram pela porta dos fundos do café. Acharam aquilo muito suspeito e pensaram que o comandante estivesse metido em negócios sujos mas seguiram e para o barco, onde Mister Miles, estava a dar uma grande festa, com convidados excêntricos. Havia um pacotão coberto de papel de embrulho no convés superior. As mulheres eram lindíssimas mas, havia uma que dava mais nas festas, tinha uma tatuagem duma borboleta nas costas e a sua alcunha era Butterfly.

Renato e Alexandre olhavam escondidos a festa, indo de vez em quando servir champanhe aos convidados. Alexandre, sempre muito atento, reparou que quase todas as senhoras usavam pulseiras e anéis em forma de cobra, e algumas até usavam carteiras e sapatos de pele de cobra, o que pensou não ser por acaso e havia também uma mulher com uma língua bífida. Imaginou qualquer coisa como “ A irmandade da Serpente” ou “ A irmandade da língua bífida”, uma organização secreta. Alexandre ficou assustado e imaginava que também Alex fizesse parte desta seita e por isso é que insistiu tanto para trocarem. Então resolveu ver se tinha alguma mensagem de Alex.

Havia uma mensagem, ao lê-la além dos pormenores do que se passava em casa, Alex falava da “Irmandade da serpente” e do que já sabia sobre ela, e pedia a Alexandre para lhe contar caso descobrisse mais alguma coisa.

Ao fim da noite, no convés superior já o papel que embrulhava o pacotão tinha sido rasgado, as mulheres faziam uma festa junto de Mister Miles agradecendo a prenda com carinhos e gritos. A prenda eram lindos quadros que representavam paisagens de Veneza, os quadros despertaram a atenção, primeiro de Renato e depois de Alexandre pois aqueles eram quadros como os do comandante, ou melhor, eram os quadros do comandante. Os rapazes ficaram pasmados, quando ouviram Mister Miles a dizer que não sabia quem era o pintor. Mister Miles disse que tinha comprado aqueles quadros numa galeria na qual lhe disseram que o pintor se queria manter no anonimato. Os dois lembraram-se então da cena no café, afinal o mistério da troca de dinheiro, era que o comandante Rugendas estava a vender os seus quadros, e o outro homem era provavelmente o dono de uma galeria. Os dois desceram as escadas e foram falar com o comandante que os fez jurar que não contavam o seu segredo. Quando a festa acabou e já quase todos os convidados se tinham ido embora, Butterfly estava no convés superior com Mister Miles, implorando-lhe para este lhe devolver o quadro que ele jurava não ter. Mister Miles, viu-se obrigado a prometer que dava todo o dinheiro que tinha na carteira a quem encontra-se o pintor. Renato, ao ouvir isto viu a sua oportunidade de arranjar dinheiro suficiente para levar Liv a jantar e a passar uma noite no Danieli. Renato disse a Mister Miles que o pintor era o comandante, quebrando a jura que ele diz não ter feito totalmente. Com isto, Mister Miles cumpriu a promessa e deu a Renato todo o dinheiro que tinha na carteira.

quero ser outro - capa.bmpUm mês já se tinha passado e estava na altura de deixar de ser Alex Limas e voltar a ser Alexandre Lamas. Desembarcou nas Docas e sentou-se na mesa onde á um mês atrás tinha estado com Alex. Passado um bocado aparece Alex, partilharam as suas experiências, Alexandre contava tudo o que tinha visto em Veneza e o que se passara naquela festa e Alex contava, o que tinha conseguido fazer em relação às notas, em relação á Maria e o que se passava lá por casa. Depois voltaram a despedir-se e cada um voltou á sua vida. Alexandre, usou esta aventura para fazer a composição que a professora de Português pedira para levantar a nota, e conseguiu. Descobriu também que já não sentia nada por Sibila e que o cheiro a pele fresca da Maria já não o incomodava, apaixonando-se então por ela.

Opinião pessoal: Eu gostei bastante deste conto porque mostra como poderia ser bom ser outro por uns tempos e que nem sempre a vida dos outros é melhor que a nossa, como por vezes pensamos. Aconselharia este conto a pessoas que desvalorizam a sua vida não pensando sequer que a dos outros pode ser pior.

Carolina Faria – nº11, 8ºF, 2008/09